Em outubro, turistas de todo o Brasil chegam ao Pará para assistir ao Círio de Nazaré, uma das maiores celebrações culturais do país. E acabam descobrindo outras atrações que movimentam o estado nessa época. Indicamos aqui duas exposições abertas recentemente em Belém: o Arte Pará e a itinerância da 34ª Bienal de São Paulo. 

Arte Pará

A Fundação Romulo Maiorana e o Instituto Cultural Vale apresentam a 40ª edição do Projeto Arte Pará. Além da mostra competitiva e nacional, cuja seleção já ocorreu, a edição reúne mulheres artistas convidadas da Amazônia Legal. São elas: Lucia Gomes (PA), Edvania Câmara (PA), Walda Marques (PA), Keila Sankofa (AM), Silvana Mendes (MA). Neste ano, o projeto irá homenagear a fotógrafa paraense Elza Lima. 

Com curadoria geral de Paulo Herkenhoff e as curadoras adjuntas Laura Rago, Roberta Maiorana e Vânia Leal, o conjunto das obras reunidas traz o discurso simbólico a partir de valores regionais, de pautas identitárias, ecológicas e socioculturais e do histórico conceito de “visualidade amazônica”.

O foco está nos grupos minorizados que passaram a ocupar o centro do debate na produção artística e intelectual, nas práticas curatoriais e na pesquisa crítica. Evocar essa discussão é uma maneira de recontextualizar permanentemente uma série de problemas históricos e sociais que foram silenciados e reprimidos. O primeiro objetivo do 40o Arte Pará é promover um recorte significativo das mulheres artistas da Amazônia, projeto que surgiu em 2020, mas que não pôde ser realizado em função da pandemia de covid-19. O segundo é elaborar novas diretrizes institucionais que ampliem a representatividade de gênero, raça, religião, orientação sexual e grupos historicamente marginalizados. A missão do 40o Arte Pará é romper com os rótulos de uma visão única mediante a indicação de diferentes modos de ver e representar o mundo para assim desestabilizar processos ideológicos e estruturais, desconstruindo narrativas e pensamentos dominantes.  

“Em tempos de profundas crises política, social e financeira do país, o Arte Pará reaviva a tarefa de mobilizar a Amazônia em torno da produção simbólica da cultura e de suas possibilidades de pensar a sociedade. Em tempos de crise, [como] proclama o crítico Mário Pedrosa: ‘é preciso estar com os artistas”, afirma Paulo Herkenhoff, curador geral do Arte Pará.  

Arte Pará – 40 anos

22 de setembro a 30 de dezembro 
Local: Casa das Onze Janelas | R. Siqueira Mendes – Cidade Velha, Belém – PA, 66020-600

Abertura: 19h30  

Itinerância da 34ª Bienal de São Paulo 

Belém (PA) recebe a exposição da 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto, que ficará até 20 de novembro no Solar da Beira. A mostra foi viabilizada através do apoio cultural da CODEM – Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana, Prefeitura de Belém, bem como da SECON – Secretaria Municipal de Economia e da FUMBEL – Fundação Cultural do Município de Belém. Patrocinador da Bienal, o Instituto Cultural Vale promove também esta itinerância pelo país. 

Para 2022, as mostras itinerantes da 34ª Bienal de São Paulo foram concebidas a partir de enunciados, que são objetos ou elementos imateriais com histórias marcantes ao redor dos quais obras e artistas são reunidos, estimulando leituras a partir de narrativas e não de formulações conceituais fechadas. A visitação é gratuita. 

Em Belém, a exposição é organizada a partir de dois enunciados – A imagem gravada de Coatlicue e Hiroshima mon amour de Alain Resnais –, ao redor dos quais agrupam-se obras que dialogam com questões como alteridade e opacidade – sendo este último um conceito do autor Édouard Glissant, uma das referências teóricas desta edição da mostra.  

A mostra é composta por trabalhos de 9 artistas de 8 diferentes países: Alice Shintani (Brasil), Claude Cahun (França), Gala Porras-Kim (Colômbia), Haris Epaminonda (Chipre), Jungjin Lee (Coreia do Sul), Melvin Moti (Holanda), Naomi Rincón Gallardo (Estados Unidos), Uýra (Brasil) e Marinella Senatore (Itália).  

No Mercado Ver-o-Peso, o público pode ver a escultura de luz Nos erguemos ao levantar outras pessoas (2021), obra da artista italiana Marinella Senatore, especialmente produzida para a 34ª Bienal de São Paulo. A instalação de 10 metros de diâmetro ficará suspensa sobre os transeuntes, próxima ao telhado do Mercado, criando uma arquitetura efêmera e impactante. Composta por dezenas de lâmpadas, a obra nos lembra da força das ações realizadas coletivamente.

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto
Programa de mostras itinerantes
Belém (PA)
Solar da Beira Blvd.

Castilhos França, 120 – Campina
29 de setembro – 20 de novembro de 2022
terça – sexta, 8h – 17h
sábado – domingo, 8h – 14h
Entrada gratuita