Encontro do Instituto Cultural Vale reflete sobre o papel dos museus no fortalecimento da cidadania e sustentabilidade de territórios na Amazônia pós-COP30.

No dia 22 de maio, o Fórum Landi será palco de um encontro fundamental para pensar o futuro da cultura no país: o Seminário Instituto Cultural Vale – Museus Unindo um Mundo Dividido. Em diálogo direto com a 24ª Semana Nacional de Museus, o evento propõe deslocar o olhar sobre os equipamentos culturais para além da guarda de acervos, eles são convocados a atuar como espaços de escuta, pertencimento e articulação comunitária.

Realizado em Belém, em um contexto atravessado pelas discussões de regeneração e crise climática do pós-COP30, o seminário reforça a visão de que uma visão sustentável sobre a natureza e cultura são dimensões indissociáveis. Inspirado pelas práticas da museologia social, o encontro reúne experiências de instituições como casas de cultura, centros culturais e instituições científicas que operam no coração dos territórios, valorizando tecnologias ancestrais e expressões locais como ferramentas para enfrentar as fissuras de um mundo polarizado. As trocas se darão entre instituições como Inhotim, Museu do Amanhã, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará, Observatório das Favelas entre outros.

Com mesas que debatem desde as ecologias e futuros da Amazônia até o papel da arte na regeneração do comum, o seminário reafirma o compromisso das instituições culturais com a vida pulsante que acontece fora de seus edifícios. Afinal, é no encontro e na mediação cultural que reside a potência para reconectar o que a desigualdade e a fragmentação insistem em dividir.

“A Semana Nacional de Museus nos convida a refletir sobre o papel da cultura na construção de futuros mais inclusivos, justos e sustentáveis, e os museus como territórios de diálogo e diversidade. Nesse contexto, o Seminário Instituto Cultural Vale é uma oportunidade única para compartilhar experiências, conhecer novas abordagens e fortalecer a conexão com diferentes públicos”, pontuou Luciana Godim, diretora do Instituto Cultural Vale (ICV).

Já a diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, Gabriela Sobral, este segundo seminário do ICV nasce em total sintonia com o tema da Semana Nacional de Museus: ‘Museus Unindo um Mundo Dividido’. “Nosso objetivo é debater como os mais diversos espaços culturais possuem uma potencialidade única para abordar as complexas temáticas do mundo contemporâneo”.

Para Gabriela, a cultura assume um papel essencial ao pautar identidades plurais em um momento do mundo marcado por conflitos territoriais e fragmentações sociais. “E isso ocorre não de uma forma separatista, mas como um elemento construtivo da nossa própria humanidade. Queremos mostrar que os equipamentos culturais são capazes de promover diálogos interculturais diretos, combatendo divisões violentas e transformando a cultura em uma ferramenta de conexão e paz”, conclui.

Cultura como ponte em um mundo dividido

Mais do que locais de visitação, os museus e centros culturais são provocados a atuar como pontes em uma sociedade marcada por polarizações e acessos desiguais. O Seminário propõe um intercâmbio de experiências entre iniciativas que operam no coração das comunidades, transformando o patrimônio em um recurso de pertencimento e regeneração. Em meio aos debates sobre a crise climática e os novos modos de vida na Amazônia, o evento afirma a cultura como uma ferramenta potente de conexão e escuta pública, capaz de curar fissuras sociais e ativar novos territórios criativos.

“Eu nasci e cresci na Maré, no Rio de Janeiro, o maior conjunto de favelas do Brasil. Aprendi em casa, com a família e a vizinhança, que as utopias são movimentadas sempre coletivamente. É junto que articulamos os gestos que melhoram nossas formas de viver e compartilhar”, afirma Isabela Souza, diretora do Observatório de Favelas e Galpão Bela Maré.

Para ela, movimentar utopias para uma cultura do bem-viver é uma prática que estrutura o Observatório de Favelas há 25 anos. “E eu tenho a sorte de seguir praticando soluções comunitárias pela defesa dos direitos fundamentais, nossa maior utopia!”, finaliza.

Programação

22 de maio

Fórum Landi, Belém, Pará

14h às 14h20: Abertura

Luciana Gondim, Diretora do Instituto Cultural Vale
Anselmo Paes, Coordenador de Documentação e Pesquisa – Secretaria de Cultura do Pará
Roberta Rodrigues, Fórum Landi – Universidade Federal do Pará

14h20 às 15h50 – Mesa 1: Amazônia Pós-COP: Arte, Ecologias e Futuros em Disputa

Fabio Scarano – Curador do Museu do Amanhã

Luciana Carvalho – Antropóloga e professora da UFOPA/Consultora Unesco e IPHAN

Alita Mariah – Diretora de Natureza do Instituto Inhotim

15h50 às 16h55 – Mesa 2: Sonhar Territórios: Movimentar utopias para uma cultura do bem viver

Mediação: Gabriela Sobral – Diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – ICV
Ronaldo Guedes – Ceramista marajoara e idealizador do Atelier Arte Mangue Marajó Isabela Souza – Diretora Observatório de Favelas e Galpão Bela Maré

16h55 às 18h – Mesa 3: Mundo fragmentado: tecnologias ancestrais e arte para regenerar o comum

Mediação: Gabriel Gutierrez – Centro Cultural Vale Maranhão – ICV
Jandaraci Araujo – Diretora executiva do Museu Afro Brasil
Paulo Desana – Artista indígena

18h – Encerramento

Apresentação Vale Música