Belém celebra 410 anos e, nesse momento especial, quatro de seus mais importantes patrimônios estão em pleno processo de restauração. As obras garantem que a memória e a cultura da cidade sejam resgatadas. Cine Olympia, Fórum Landi, Basílica Santuário de Nazaré e Complexo dos Mercedários são espaços que atravessaram gerações e agora estão sendo revitalizados para deixar essa Belém quadricentenária renovada para novos capítulos e com a sua melhor versão, a que preserva e valoriza sua história.
Inaugurado em 1912, ainda no tempo do cinema mudo, o Cine Olympia é o mais antigo cinema de rua em funcionamento no Brasil e símbolo da Belle Époque amazônica. O projeto de restauro é patrocinado pela Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, em parceria com a Prefeitura de Belém, Instituto Pedra e IPHAN, copatrocínio do Banco da Amazônia e apoio financeiro do BNDES. Além do restauro do edifício, a obra inclui a reposição das poltronas, adaptação da sala de projeção, modernização tecnológica e área expositiva sobre a história do Cinema Olympia dentro do contexto nacional e internacional da produção audiovisual. “Restaurar um lugar onde tantas gerações passaram é emocionante”, descreve a arquiteta Beth Almeida.
No coração do centro histórico da cidade das mangueiras, o Fórum Landi, prédio do século XVIII, também passa por intervenções. Com apoio da Vale, Transpetro e Instituto Pedra, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o espaço reafirma sua importância como polo de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). As atividades envolvem a restauração de parte internas, como auditório, espaços expositivos, salas administrativas e as esquadrias da fachada, que foram restauradas e conectam o local à Praça do Carmo e obras de modernização das instalações do prédio. Para a coordenadora do Fórum, Roberta Menezes, “o espaço é dedicado a preservar o Centro Histórico de Belém e voltará ainda mais rico e plural, com visitas guiadas e espaço para exposições”.
A Basílica Santuário de Nazaré, inaugurada em 1909, vive sua primeira grande intervenção completa em mais de um século. O restauro de um dos grandes símbolos do Círio de Nazaré, reconhecido como patrimônio cultural imaterial da Humanidade pela Unesco, é realizado com patrocínio da Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Iniciadas em 2023, as obras internas foram concluídas com restauro contemplando vitrais, forros, mosaicos, altar mor, esculturas e reforma de 16 capelas laterais da igreja e devolvendo o seu brilho original. Agora segue a renovação da área externa e a conclusão da Cripta com a criação de espaço multifuncional para celebrações e atividades educativas. Antônio Salame, da diretoria do Círio, afirma: “Ver esse espaço sendo restaurado com tanto cuidado é um verdadeiro presente para Belém”.
De frente para a Baia do Guajará, o conjunto colonial de 1640, o Complexo Mercedários, formado por convento e igreja, também está em processo de restauro. Com a interveniência da UFPA e Arquidiocese, execução do LACORE/UFPA, Fadesp e GM Engenharia, realização do IPHAN, patrocínio da Vale e apoio financeiro do BNDES, via edital Resgatando a História, o espaço se transformará em polo cultural com museu, galeria e auditórios. A arquiteta Mayra Martins explica: “Aqui o conhecimento circula, se renova e ganha sentido social. É mais que restauro! É aproximação da comunidade com o patrimônio”.
Segundo a vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti, “a empresa está comprometida com a identidade cultural da Amazônia e muito especialmente do Pará. Estas intervenções de requalificação urbana e revitalização de edificações e equipamentos emblemáticos de Belém, são uma tradução deste nosso engajamento e crença de que preservando o patrimônio e a história é que se constrói o futuro.”. O Instituto também faz parte de parcerias que resultaram na implantação do Museu das Amazônias, restauração do Porto Futuro II e na revitalização dos muros do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, patrimônio tombado que, em 130 anos de existência, nunca havia recebido intervenção artística, e hoje abriga a 3ª edição do Museu de Arte Urbana de Belém, o M.A.U.B., projeto que também contou com patrocínio do Instituto.
Para os belenenses, os restauros representam oportunidades de reencontro com a própria história. O Cine Olympia voltará a ser espaço de convivência cultural; o Fórum Landi estará ainda mais próximo e mais aberto para pesquisa, educação e exposições; a Basílica Santuário de Nazaré reafirma sua grandiosidade e memória; e o Complexo Mercedários se consolidará em polo de conhecimento e arte. São presentes em reconstrução, que Belém irá receber ainda este ano e até 2027, unindo tradição e as novas gerações.
“É emocionante testemunhar essa renovação. Essas quatro obras são mais do que restauros, são símbolos que unem passado e futuro. O Cine Olympia, o Fórum Landi, a Basílica Santuário de Nazaré e o Complexo Mercedários juntos representam a história de Belém e do Brasil. Cada intervenção devolve à cidade não apenas prédios, mas a possibilidade de reencontrar sua memória e com um valor maior aproximando esses patrimônios: as pessoas, porque é na vida e no respeito da população que a história realmente se mantém viva”, conclui o professor Michel Pinho.